16 Agosto 2008 Jabá! 1 comentário

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Libras

20 Julho 2008 Jabá! 50 comentários

A Língua Brasileira de Sinais foi desenvolvida a partir da língua de sinais francesa. As línguas de sinais não são universais, cada país possui a sua.

A LIBRAS possui estrutura gramatical própria. Os sinais são formados por meio da combinação de formas e de movimentos das mãos e de pontos de referência no corpo ou no espaço.

Segundo a legislação vigente, Libras constitui um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas com deficiência auditiva do Brasil, na qual há uma forma de comunicação e expressão, de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria.

Decretada e sancionada em 24 de abril de 2002, a Lei N° 10.436, no seu artigo 4º, dispõe o seguinte:

“O sistema educacional federal e sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais – Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, conforme legislação vigente”.

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Surdodum

19 Julho 2008 Jabá! 3 comentários

O som do silêncio

Sentada, com um tambor entre os joelhos e mãos que se movimentam silenciosamente dentro de um tempo marcado, tais quais as de um maestro, mas bastante singulares. É assim que Ana Lúcia Soares coordena os participantes do projeto Surdodum. Diante dela, jovens com diferentes graus de deficiência auditiva tocam instrumentos de percussão, dançam, cantam e não saem do ritmo. O trabalho é desenvolvido desde 1995 no Centro Integrado de Ensino Especial (CIEE), na 912 Sul, com muito êxito. E também com muitos convites para apresentações.

O esforço rendeu frutos e hoje, extraordinariamente, Ana Lúcia está em São Paulo, onde concorre ao Prêmio Claudia 2002. Ela é uma das 15 finalistas, do Brasil inteiro, que podem ganhar o título de Mulher do Ano, oferecido pela revista (leia quadro). ‘‘Mesmo que não vença, já me considero uma vitoriosa’’, diz, cheia de bom humor.

Tudo começou em 1994, quando Ana Lúcia — que fez magistério durante o ensino médio — era alfabetizadora de surdos no Centro Educacional de Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (Ceal), na Asa Norte. ‘‘Por um acaso, o pessoal do Ceal descobriu que eu cantava em uma banda de percussão e resolveu, então, fazer uma brincadeira’’, conta. Na época, Ana Lúcia reuniu seis jovens e os colocou para tocar instrumentos. ‘‘Foi o samba do crioulo doido. Pá-ti-bum!’’

Quase que Ana Lúcia desistiu… Mas apareceu um amigo percussionista que ajudou no trabalho. Aos meninos que não faziam idéia do que é o som, a professora explicou por meio de analogias. O surdo não ouve, mas vê (ou sente) o movimento rigorosamente ritmado do relógio, do coração, do andar, que tem um tempo certo: ninguém dá um passo grande e em seguida um pequeno se não há obstáculos pela frente. E assim foi. Duas semanas depois, o grupo já conseguia tocar cinco músicas — popular brasileira e sons afro-brasileiros, basicamente.

No ano seguinte, Ana Lúcia passou no concurso da Secretaria de Educação. Como quem não quer nada, apresentou à divisão de ensino especial a idéia de formar uma banda de surdos. Projeto aprovado, a brasiliense, então com 19 anos, saiu de escola em escola em busca de deficientes auditivos. ‘‘Naquele ano mesmo, encontrei a Luciana e a Andréia. O sonho delas era cantar’’, lembra. O detalhe é que Andréia Brito, hoje com 27 anos, não escuta absolutamente nada. E Luciana Delforge, 26, ouve alguma coisa com auxílio de um aparelho auditivo. Mas isso não importava. Elas queriam cantar.

No início, Ana Lúcia não botou muita fé na empreitada. Mas tudo bem…Vamos lá, trabalhar por analogia, utilizar os ritmos do relógio, do coração e do andar como termos de comparação. E ritmo, e movimento corporal, e respiração, e fala, e Língua Brasileira de Sinais, e expressão orofacial (boca e face), e dramatização. Não demorou e os bons resultados vieram. ‘‘Meu grande medo era tocar para o público. Porque tocar para surdo é bacana…’’, ri uma Ana Lúcia que se revela irônica a cada frase que pronuncia.

Apesar do receio, o Surdodum, cujo nome foi escolhido pelos próprios integrantes, vingou. Os batuques no tambor emocionam e não dá para acreditar que quem os produz não ouve nada. Em seus sete anos de existência, a banda abriu show do Cidade Negra, de Leci Brandão, tocou no mesmo palco do Olodum e participou dos programas de Fábio Júnior e de Sílvia Poppovic.

Além do repertório de MPB, há canções exclusivas, geralmente composições de Arnaldo Barros, o guitarrista (ouvinte) do grupo. Ele é um dos quatro músicos voluntários que contribuem, e muito, com o trabalho de Ana Lúcia. Faz músicas que falam do silêncio, como Libras, a Língua Brasileira de Sinais ou simplesmente o signo do horóscopo. ‘‘O silêncio é música também. É o momento de pausa da melodia, quando a pessoa transcende e sente o som de forma pura…’’, filosofa.

Se o silêncio é música, esta é vibração, sensação. E foi assim que Andréia Brito aprendeu a cantar. Com a mão nas paredes que vibram ao menor barulho ou na garganta de Ana Lúcia, ela descobriu o segredo do ritmo e não faz feio quando canta Azul da cor do mar, de Tim Maia, por exemplo. Andréia fala perfeitamente e isso porque trabalhou a oralidade desde a mais tenra idade. A audição? Esta é totalmente visual e a jovem escuta por meio da leitura labial de seu interlocutor.

Andréia é um dos oito integrantes remanescentes da primeira formação do Surdodum. Outros 12 são novatos e mostram, a cada dia, que levam jeito para esse negócio de tocar, para alegria da idealizadora Ana Lúcia.

De 1994 para cá, muita coisa mudou na vida da coordenadora do Surdodum. Ela estudou Fonoaudiologia e se aproximou mais de seus ‘‘alunos’’. ‘‘Adquiri mais embasamento, mas ainda faço muita coisa na intuição’’, confessa. A Libras, ela aprendeu na prática, assim como Arnaldo Barros e os outros músicos ouvintes.

A maior parte de seu tempo, Ana Lúcia dedica ao projeto Surdodum. No mais, continua estudando assuntos relacionados à fonoaudiologia e virou intérprete de Libras. Todas as noites, senta-se ao lado de um aluno surdo do curso de Sistema de Informação da Universidade Católica de Brasília e traduz para ele a aula inteira. Com os mesmos movimentos silenciosos das mãos.

Há três semanas, Ana Lúcia, que mora com os pais na Asa Norte, está mais feliz. Ficou noiva de Alexandre Macarrão, o contrabaixista voluntário da Surdodum. O casamento? ‘‘Deve sair daqui a três anos. Ainda vou enrolar o Macarrão por muito tempo.’’ O namoro começou há exatos três anos, entre um batuque no tambor de um surdo e um movimento silencioso da mão de Ana Lúcia.

Fonte: Correio Brasiliense

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Nova tecnologia permite que surdos conversem pelo celular

Através da videoconferência, portadores de deficiência auditiva falam por sinais. Para Miss Ceará, surda desde o nascimento, ‘é um grande salto’.

Somente há poucos meses o funcionário público Alexandre Lopes Pinto, 42 anos, começou a utilizar o telefone celular para conversar com seus amigos e parentes. Mas quem acha que ele estava “parado no tempo” está errado.
Alexandre, que mora no Rio, é portador de deficiência auditiva. Ele consegue falar pelo celular através do sistema de vídeoconfência, que o permite conversar em tempo real pelo aparelho.

“Só com o vídeo é que eu pude conversar em tempo real com outra pessoa pelo celular, porque eu utilizo a linguagem dos sinais. A pessoa tem que me ver para entender a mensagem”, explicou Alexandre.

O novo serviço é oferecido pelos telefones celulares que possuem a tecnologia 3G. Alex conta que, antes, os deficientes auditivos se comunicavam pelo celular através das mensagens instantâneas, mas tinha um grande problema.

“Para a maior parte dos deficientes auditivos, o Português é a segunda língua. A primeira é a Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). Então, para muitos, existia a dificuldade de escrever corretamente frases longas, o que trazia transtornos e constrangimentos”, contou.

Para miss, tecnologia vai facilitar comunicação

Segunda colocada no concurso Miss Brasil 2008, a Miss Ceará Vanessa Vidal é deficiente auditiva desde que nasceu. Para ela, o 3G é um grande salto, porque possibilita uma comunicação natural, sem intervenção de terceiros, por meio de videoconferência, facilitando a vida dos surdos em geral.

Vanessa Vidal é deficiente auditiva desde que nasceu: para ela, tecnologia facilitará o diálogo.

“É importante que esse sistema seja divulgado para todos os surdos e que todos possam usufruir dessa tecnologia, independentemente da sua classe social. Nós, os surdos, agradecemos esse grande avanço, pois ele facilitará o diálogo entre pessoas surdas e mesmo com aquelas que não tenham problemas auditivos”, explica a Miss Ceará, ressaltando que não utiliza o serviço porque ainda não é disponível em seu estado.

Para o ator Nelson Pimenta, 44 anos, que também é portador de deficiência auditiva, a nova tecnologia mudou bastante a sua vida. “Agora posso me comunicar diretamente com meus amigos e familiares”, garantiu. No entanto, ele considera um pouco caro o valor das ligações.

“Já gastei mais de R$ 250 em videochamadas, e não foram muitas”, afirmou.

Para muitos, o valor dos planos telefônicos que incluem este tipo de serviço também pode ser considerado um pouco oneroso. Por exemplo, um pacote de ligações de R$ 84,90 dá direito a apenas dez minutos de videochamada.

“Acho que poderia ter um desconto para os portadores de deficiência auditiva. Deveria ser criada uma lei para isso, porque este serviço é essencial para a nossa comunicação”, opina.

O telefone celular com tecnologia 3G, que permite a videoconferência entre os usuários, é a mais nova ferramenta para facilitar a comunicação dos portadores de deficiências auditivas.

Antes disso, no entanto, já havia outros produtos voltados para este público.

O mais popular é o TDD, sigla em inglês para “equipamento de telecomunicação para surdos”. Trata-se de um aparelho que, conectado ao telefone, transforma as frases ditas pelo interlocutor em mensagens escritas.

Dotado de um teclado e uma tela, também é possível digitar uma mensagem para outro usuário de TDD, ou ainda digitar a mensagem e transformá-la em voz para que seja ouvida pela pessoa do outro lado da linha.

Outra opção é o programa gratuito Rybená. Instalado em telefones celulares, ele permite que sejam enviadas mensagens na Linguagem Brasileira de Sinais. Ao receber o torpedo, em vez de texto, o portador de deficiência auditiva verá as mensagens em animações da língua de sinais.

No exterior, empresas também investem na criação de telefones especiais para quem tem perda parcial da audição. Além da consagrada tecnologia do ‘vibrafone’, que faz o aparelho vibrar em vez de tocar quando é recebida uma ligação, esses aparelhos incorporam correções automáticas de volume e tom para facilitar a audição.

Fonte: G1

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É preciso ser SURDO para entender…

19 Julho 2008 Jabá! 8 comentários

Como é “ouvir” uma mão?

Você precisa ser surdo para entender!

O que é ser uma pequena criança

na escola, numa sala sem som

com um professor que fala, fala e fala

e, então

quando ele vem perto de você

ele espera que você saiba o que ele disse?

Você precisa ser surdo para entender!

Ou o professor que pensa

que para torná-lo inteligente

você deve, primeiro, aprender

como falar com sua voz

assim

colocando as mãos no seu rosto

por horas e horas

sem paciência ou fim

até sair algo indistinto

assemelhado ao som?

Você precisa ser surdo para entender!

Como é ser curioso

na ânsia por conhecimento próprio

com um desejo interno

que está em chamas

e você pede a um irmão, irmã e amigo

que respondendo lhe diz:

“Não importa”?

Você precisa ser surdo para entender!

Como é estar de castigo num canto

embora não tenha feio

realmente nada de errado

a não ser tentar fazer uso das mãos

para comunicar a um colega silencioso

um pensamento que vem, de repente, a sua mente?

Você precisa ser surdo para entender!

Como é ter alguém a gritar

pensando que irá ajudá-lo a ouvir

ou não entender as palavras

de um amigo que está tentando

tornar a piada mais clara

e você não pega o fio da meada

porque ele falhou?

Você precisa ser surdo para entender!

Como é quando riem na sua face

quando você tenta repetir o que foi dito

somente para estar seguro que você entendeu

e você descobre que as palavras foram mal entendidas?

E você quer gritar alto:

“Por favor, me ajude, amigo!

Você precisa ser surdo para entender!

Como é ter que depender de alguém

que pode ouvir

para telefonar a um amigo

ou marcar um encontro de negócios

e ser forçado a repetir o que é pessoal

e, então, descobrir que seu recado

não foi bem transmitido?

Você precisa ser surdo para entender!

Como é ser surdo e sozinho

em companhia dos que podem ouvir

e você somente tenta adivinhar

pois não há ninguém lá com uma mão ajudadora

enquanto você tenta acompanhar

as palavras e a musica?

Você precisa ser surdo para entender!

Como é estar na estrada da vida

encontrar com um estranho que abre a sua boca

e fala alto uma frase a passos rápidos

e você não pode entendê-lo e olhar seu rosto

porque é difícil

e você não o acompanha?

Você precisa ser surdo para entender!

Como é compreender alguns dados ligeiros

que descrevem a cena

e fazem você sorrir

e sentir-se sereno com

a “palavra falada” de mão em movimento

que torna você parte deste mundo tão amplo?

Autores: Willerd e Madsen

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